Polícia
Caso Benício: Médica vendia maquiagem enquanto menino lutava pela vida após overdose de adrenalina
Novas mensagens extraídas do celular da médica Juliana Brasil Santos chocam e reforçam as suspeitas de negligência e indiferença durante o atendimento que resultou na tragédia no Hospital Santa Júlia. A descoberta acontece quatro meses após a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, durante atendimento médico na Clínica Santa Júlia, zona sul de Manaus.
O relatório de extração de dados, feito no aparelho celular da médica Juliana Brasil, mostrou que no momento que Benício lutava pela vida, apresentando grave dificuldade respiratória, após receber adrenalina intravenosa em dose e via incorretas, a médica havia receitado a medicação ao menino estava vendendo produtos de maquiagem em conversas no Whatsapp.
As conversas ocorreram por volta das 15h46 do dia 22 de novembro de 2025. Àquela altura, o menino já estava em estado crítico, com overdose de adrenalina, após a aplicação feita pela técnica de enfermagem conforme prescrição da médica. Mesmo assim, Juliana respondeu a uma cliente, enviou a chave Pix, concedeu desconto no produto e trocou emojis como se nada de grave estivesse acontecendo. “Sim, era 200, deixei 190 pra você”, escreveu a médica em uma das mensagens.
Para a Polícia Civil do Amazonas, o conteúdo das conversas demonstra clara indiferença diante da vida da criança e configura forte indício de dolo eventual — quando o agente assume o risco de produzir o resultado morte.
“O fato da médica estar vendendo produtos de beleza enquanto a vítima estava deitada numa maca em overdose de adrenalina, em estado crítico entre a vida e a morte, denota um evidente elemento de prova de indiferença com a vida da vítima, o que configura o chamado dolo eventual, caracterizando homicídio qualificado doloso”, afirmou o delegado Marcelo Martins, titular do 24º DIP.
Cronologia do atendimento
Benício deu entrada no Hospital Santa Júlia por volta das 13h30, com tosse seca, febre e suspeita de laringite. Na triagem, o caso não foi classificado como grave. Às 14h29, a técnica de enfermagem Raíza Bentes aplicou adrenalina pura (não diluída) na veia da criança, seguindo a prescrição de Juliana Brasil.
Imediatamente após a aplicação, o menino passou mal. A médica foi chamada às 14h37 e, segundo a investigação, passou parte do tempo mexendo no celular — inicialmente pedindo orientação a outros médicos. Pouco mais de uma hora depois, já sabendo que Benício estava em dificuldade respiratória severa, ela iniciava a negociação de maquiagem.
Benício sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu. Ele faleceu na madrugada do dia 23 de novembro, às 2h55.
Adulteração de vídeo também é investigada
O delegado ainda revelou que Juliana Brasil encomendou e pagou pela adulteração de um vídeo que foi apresentado pela defesa. O material tentava atribuir o erro na prescrição de adrenalina a uma suposta falha no sistema eletrônico do hospital. Perícias técnicas já comprovaram que não houve qualquer defeito no sistema e que o vídeo foi manipulado.
A defesa de Juliana Brasil afirmou, em nota, que o vídeo é íntegro e foi gravado por uma pessoa de confiança em outro hospital que utiliza o mesmo sistema. A defesa negou o pagamento pela edição e não se manifestou sobre as mensagens de venda de maquiagem durante o atendimento.
O inquérito policial segue em andamento, acompanhado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM). A família de Benício segue clamando por justiça.
Caso Benício: Vídeo apresentado por médica teria sido manipulado para simular falha no hospital










